3 passos para ser um empreendedor de sucesso

Para ser empreendedor é necessário ter o perfil certo, ter uma ideia bem fundamentada e reunir as melhores fontes de financiamento.

Conheça os três passos imprescindíveis para se tornar num empreendedor de sucesso.

    Ser um empreendedor é conseguir olhar para um copo com metade de água e não pensar se está meio cheio ou meio vazio, mas sim pensar o que é que eu tenho de fazer para acabar de encher o copo.

    A frase é do empresário Naveen Jain e resume a atitude de quem tem perfil para ser empreendedor. O próprio dedica-se a mostrar ao mundo que nada é impossível para quem reúne as qualidades e as condições certas.

    Americano de origens indianas, este empreendedor esteve presente na primeira edição da Web Summit em Lisboa onde explicou uma das suas ideias de negócio e que muitas consideram impossível de concretizar: levar pessoas a passar literalmente a lua-de-mel na Lua ou explorar o potencial de negócio associado a alguns materiais raros que se encontram neste satélite do planeta terra. E nada parece deter o fundador da Moon Express, a primeira empresa privada a receber autorização dos reguladores dos Estados Unidos para aterrar na Lua.

    Esta ideia de negócio mostra que não há impossíveis, mas para isso é necessário reunir uma série de condições. Ter perfil de empreendedor, ter uma ideia bem fundamentada e reunir as fontes de financiamento certas são três passos imprescindíveis.

     

    1º Passo: Ser ou não ser um empreendedor? Eis a questão.

     

    Um empreendedor não é uma pessoa que lança uma empresa, mas uma pessoa que consegue de facto resolver um problema. Tem tudo a ver com execução e com atitude mental. Uma pessoa que identifica um problema é um Ser Humano, uma pessoa que encontra a solução é um Visionário e uma pessoa faz alguma coisa para o resolver é um Empreendedor.

    Esta definição de Naveen Jain é o ponto de partida para traçar o perfil de um empreendedor. Segundo o próprio e outros grandes empreendedores, como Bill Gates, há um conjunto de características que têm de estar presentes:

    Ter uma ideia e apaixonar-se por ela: é essa paixão que vai mover montanhas e que vai conseguir contagiar as pessoas, levando-as a aderir. Só fazendo aquilo de que realmente se gosta é possível obter sucesso.

    Estabelecer objetivos bem definidos: ter um objetivo claro, focar-se nele e encontrar as métricas que vão medir os progressos em direção a esse objetivo são tarefas difíceis, mas são condições importantes para o sucesso.

    Trabalhar incansavelmente: o sucesso só vem depois do trabalho e, por isso, quem quer pôr as suas ideias em prática tem de estar preparado para uma longa caminhada onde terá de abdicar de muitas coisas em prol de uma meta concreta.

    Ser persistente e flexível: o caminho nem sempre será aquele que é idealizado ao início, por isso, é importante ser persistente e não desistir de encontrar o rumo certo para chegar ao objetivo final. Isso exige também flexibilidade para mudar de caminho e de estratégia sempre que for necessário.

    Ser resistente: saber defender as suas ideias, mesmo quando outros olham com desconfiança. Deve também encarar os problemas como desafios que precisam de solução e aprender com os erros. É importante saber reagir rapidamente e não se deixar abater pelas dificuldades.

    Ser por natureza insatisfeito: achar que consegue sempre fazer melhor, nunca estar satisfeito, estar sempre à procura de novas ideias e procurar sempre melhorar as suas competências fazem parte do ADN de um empreendedor.

    Saber rodear-se das pessoas certas: ninguém faz tudo sozinho e ninguém é bom em tudo. Depois de saber quais são as suas próprias mais-valias, um empreendedor tem de saber encontrar as pessoas certas que complementem as suas capacidades. É também importante ser capaz de criar uma boa rede de contactos.

     

    2º Passo: A ideia de negócio tem pernas para andar?

     

    Ter perfil de empreendedor é importante, mas não chega para garantir o sucesso. É preciso ter uma ideia com potencial de negócio, independentemente do fim a que se destina, ou seja, se é meramente comercial ou se tem associado um cariz social, caso do empreendedorismo social.

    A inovação não escolhe setores. As boas ideias de negócio podem nascer em qualquer área, embora algumas estejam a atrair mais a atenção dos investidores. Segundo uma lista compilada pela empresa de estudos de mercado Quid, as startups que mais conseguiram angariar capital são as que operam nos seguintes setores:

    • Segurança e deteção de fraude online

    • Inteligência artificial

    • Condução autónoma

    • Tecnologias de reconhecimento por imagem e mapeamento

    • Realidade aumentada

    • Sensores inteligentes

    • Drones

    • Digitalização da educação

    Ainda que à partida tenham maior potencial de sucesso, nestas e noutras áreas os projetos só conseguem vingar se criarem valor e se estiverem bem fundamentados. Nesta fase são importantes dois instrumentos: o modelo de negócio e o plano de negócios.

    Modelo de negócio: ao responder a um conjunto de perguntas sobre o negócio será possível avaliar os pontos mais importantes e a capacidade para criar valor. Há modelos já criados que ajudam nesta tarefa. O modelo Canvas ou o modelo da Cadeia de Valor de Michael Porter são os exemplos mais conhecidos.

    Plano de negócios: este é o plano que vai permitir conjugar todas as vertentes do negócio mostrando como se pretende alcançar o sucesso: a equipa, o modelo de negócio, o contexto e, também, as metas que o negócio pretende atingir com os números que as sustentam. Este é um instrumento importante para conseguir apoios e financiamento junto de investidores ou parceiros.

     

    3º Passo: Como financiar o negócio?

     

    Chegada a hora de pôr a ideia em prática é preciso dinheiro. Como financiar, então, o negócio? A resposta depende não só do tipo de projetos, mas também da fase em que se encontra. No entanto, e de uma forma geral, um empreendedor pode lançar mão de vários tipos de financiamento:

    Family, Friends & Fools: estes são os três ‘Fs’ muitas vezes apontados como o primeiro nível de financiamento de uma startup. São as pessoas mais próximas - a família e os amigos - que à partida estão mais predispostas a ajudar e que permitem pôr em prática o primeiro patamar do negócio, abrindo depois caminho a outros tipos de financiamento;

    Business angels: um business angel é alguém que se dispõe a investir diretamente num negócio promissor em troca de uma participação na empresa. Geralmente é alguém com experiência no mundo dos negócios e que, para além do financiamento, traz consigo a experiência e os contactos.

    Venture Capital: são as empresas de capital de risco, que se dedicam a avaliar e a investir em novos negócios. Fazem uma avaliação mais rigorosa e têm um papel mais ativo na gestão do negócio.

    Clientes: quando se tem uma ideia de negócio que responde a uma necessidade real das pessoas, essas pessoas estão dispostas a ser as primeiras a financiar o negócio. É aí que entra uma das soluções mais importantes da era digital - e que beneficia muito da massificação das redes sociais - o crowdfunding. Há várias plataformas online de crowdfunding como a Kickstrater ou a Seedrs.

    Incubadoras ou projetos de apoio: o apoio às startups pode também ser disponibilizado através de um conjunto de serviços e infraestruturas que ajudam a desenvolver o negócio. É o caso das incubadoras, como a StartUp Lisboa, onde é possível ter um espaço a custos baixos, obter apoio no desenvolvimento de planos de negócio ou mesmo desenvolver redes de contactos que podem ser fundamentais numa fase inicial. Por outro lado, os empreendedores podem sempre participar em concursos nacionais e internacionais de apoio ao empreendedorismo. É o caso do Acredita Portugal para projetos com cariz social.

    Crédito bancário: esta é uma solução para empresas que já estão em atividade e que podem recorrer ao crédito por diversos motivos, entre os quais financiar o investimento em novos projetos.

    Microcrédito: com uma vertente de responsabilidade social, o microcrédito é a solução das instituições financeiras para apoiar projetos de quem tem dificuldades em aceder ao crédito e se encontra também numa situação socialmente desfavorável.

     

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