Como preparar as férias grandes com orçamentos pequenos

As férias não têm de ser sinónimo de grandes despesas. Com algum planeamento é possível fazer grandes viagens com orçamentos pequenos.

As férias não têm de ser sinónimo de grandes despesas.

    A folha de cálculo que a Filipa mostra da sua viagem de três semanas a Itália não deixa enganar a forma metódica e organizada com que tudo foi planeado. O orçamento era de cerca de 1500 euros e era importante não deixar derrapar os custos.
    Já o Diogo tem apenas algumas notas no telemóvel e o histórico da sua conta bancária - também esta consultada no telemóvel - para recapitular os 21 dias que dividiu entre Chile, Bolívia e Peru, numa viagem que lhe custou cerca de 2000 euros.

    Ainda que com métodos bem diferentes, os dois mostram como é possível organizar férias grandes com orçamentos pequenos. Quer o seu perfil seja mais aventureiro ou mais organizado, uma coisa é certa: os custos de uma viagem não têm de ser astronómicos.

     

    Férias: Filipa

     

    Filipa: No controlo é que está o ganho
    - Destino: Itália
    - Ano: 2015
    - Cidades visitadas: 14
    - Kms percorridos: 1547
    - Duração: 17 dias
    - Valor: 1485 euros

    Idealizada com muito tempo de antecedência, a viagem da Filipa e do namorado a Itália começou a registar os primeiros gastos três meses antes de as malas estarem feitas. Cada um gastou cerca de 150 euros numa viagem de ida e volta para Milão.

    Se calhar dava jeito começar a viagem num destino e regressar por outro, mas esta era a cidade italiana que oferecia as viagens mais baratas. Também a data foi escolhida com alguma cautela. Sabendo que agosto é sempre o mês mais caro, optou por viajar em setembro.

    Estava decidido e, a partir daí, foi planear tudo o resto tendo sempre em mente que as despesas seriam para dividir por dois e tinham um limite bem definido. Na lista seguiu-se a estadia e a opção foi desde logo recorrer ao Airbnb e optar por Bead&Breakfast, por serem mais económicos.

    Sem alguns destinos os custos com alimentação têm de ser geridos com muita cautela, em Itália esse problema não se colocava. Tal como em Portugal, é possível encontrar “excelentes alternativas qualidade/preço”, diz a Filipa.

    Uma delas foi nos descontos que poderia obter com o Cartão de Estudante. “Usei sempre que possível, mesmo depois de terminar a Faculdade, e nas viagens é possível obter muitos descontos”, refere, dando como exemplo os transportes e museus.

    Na bagagem também seguia o guia da Lonely Planet, onde as dicas de poupança podem ser preciosas, sobretudo quando todas somadas. Desde os restaurantes mais económicos, passando pela indicação dos dias de visita gratuita aos museus, tudo ajudou.

    Preferindo planear as viagens, Filipa descansa aqueles a quem uma folha de cálculo pode parecer assustadora: planear é muito importante, mas “os planos não tenham de ser completamente rígidos”.

     

    Férias: Diogo

     

    Diogo: Ser mais flexível tem vantagens
    - Destino: Chile, Bolívia e Peru
    - Ano: 2017
    - Cidades visitadas: 14
    - Kms percorridos: 5907
    - Duração: 21 dias
    - Valor: 2097 euros

    Viagens planeadas ao detalhe não combinam com a sua forma de viajar. Nas três semanas que passou na América Latina, em 2017, não estava muito preocupado em poupar nas viagens de ida e volta, nem com os transportes locais porque queria ver o máximo de destinos possíveis em menos tempo, mas acabou por compensar na flexibilidade com que geriu a estadia.

    A estratégia foi reservar o bilhete de ida e volta de avião, tratar da estadia para duas noites e contratar serviços de transporte entre os vários locais que queria visitar. Depois, durante a viagem, a dormida era reservada com três a quatro dias de antecedência.

    “Não reservar não significa que não estava a planear”, refere Diogo, salientando as vantagens que esta estratégia pode ter: “Reservar com muita antecedência em destinos onde há muitos imponderáveis - como por exemplo greves ou possíveis cortes de estrada - pode significar perder o dinheiro porque não há devoluções.”

    Por outro lado, durante a viagem pode apetecer prolongar a estadia num determinado local e perde-se essa flexibilidade quando já está tudo agendado e pago.

    Para conseguir visitar três países - o Chile, a Bolívia e o Peru - em três semanas sem pagar uma fatura astronómica, a estratégia foi poupar nos gastos diários. A estadia foi sempre em hostels. “São por regra mais baratos, acabando por não gastar mais do que oito a 10 euros por noite”, explica Diogo. Muitos até permitem cozinhar, o que é muito útil sobretudo para quem opta por ficar mais tempo nos mesmos locais. Mas no seu caso, preferiu comer muitas vezes nos bares e restaurantes dos próprios hostels ou aproveitar os descontos que a “pulseirinha” do hostel garantia em vários locais.

    Mais uma vez pensando em quem faz viagens mais longas e quer ficar mais tempo em cada sítio, Diogo deixa outra dica: fazer voluntariado nos hostels. O próprio conheceu um fotógrafo que andava a viajar e que, em troca da estadia, trabalhava parte do dia.

     

    Dicas para garantir viagens baratas
    Seja qual for o tipo de viajante com o qual mais se identifica, há dicas importantes a seguir quando se tratar de controlar os gastos durante uma viagem. E, aí, a Filipa e o Diogo estão de acordo com uma série de dicas a seguir. Tome notas!

     

    ANTES DA VIAGEM
    - Ver recomendações em blogs de pessoas que não são conhecidas. Os blogs dão ótimas dicas de viagem. Por exemplo, são muito úteis quando é necessário saber onde começar e acabar a viagem, fazendo o melhor percurso e o mais económico. Mas podem também aconselhar locais mais baratos para ficar.

    - Lançar perguntas nas redes de amigos. Pedir sugestões aos amigos através das redes sociais é sempre uma boa forma de recolher informações que podem ser valiosas.

    - Consultar o TripAdvisor. Este é um passo importante antes de viajar. Se há alguma pergunta que se possa ter sobre a viagem ou sobre o destino, essa pergunta já terá sido feita por alguém e já estará respondida no TripAdvisor.

    - Escolher voos em vários passos. O processo deve começar pelo Google Flights - sendo até possível criar alertas de voos - para avaliar as melhores alternativas, mas o conselho é depois fazer a reserva diretamente na companhia aérea escolhida.

    - Optar pelas agências de viagens quando os destinos são “especiais”. Seja pela língua, porque se trata de um destino politicamente mais complicado ou porque as políticas de vistos e entradas é bastante burocrática, nestes casos é melhor optar pelas agências de viagens.

    - Escolher hotéis com políticas de cancelamento. Se por algum motivo alterar os planos e não ficar tanto tempo no mesmo sítio, pode perder o dinheiro da estadia caso não tenha optado por hotéis com políticas de cancelamento. Pode acontecer simplesmente porque não é preciso ficar tanto tempo no mesmo sítio como tinha planeado inicialmente ou mesmo porque ficou doente e precisa de regressar mais cedo.

    - Procurar estadias mais baratas. Hostels, Bread & Freakfast ou mesmo websites como o Airbnb são incontornáveis para quem quer poupar na estadia.

    - Contactar as empresas locais para serviços de transporte. Definindo à partida alguns critérios, ao contactar as empresas de transporte dos locais para onde vai viajar conseguirá não só preços mais em conta, mas também dicas importantes para organizar a viagem. Atenção: perguntar se há descontos para jovens e também se há passes.

    - Comprar os bilhetes dos museus online. Mesmo estando já no local, compensa comprar os bilhetes online não só porque é mais prático, mas também porque evitará perder tempo em filas. O tempo que ganha será precioso para conseguir visitar todos os pontos planeados.

    - Ter um guia à mão. Guias como os da Lonely Planet são sempre uma ajuda preciosa, não só para recomendar os melhores sítios a visitar, mas também porque permitem poupar. Por exemplo, recomendam locais onde as refeições são mais baratas ou dão informações sobre os museus gratuitos. E não é preciso comprar o guia em papel. Fica mais em conta e é mais prático fazer o download.

    - Guardar bem os documentos. Os documentos como o Cartão do Cidadão ou o Passaporte têm de ser guardados com mais cuidado - as bolsas à cintura não caíram em desuso. Mas, caso aconteça um grande azar, ter um backup dos documentos numa drive online é sempre uma boa alternativa. Por outro lado, levar duas ou três fotocópias dos documentos também pode ser uma solução muito útil.

    - Munir-se de várias Apps. A lista pode ser infindável, mas aconselhamos aplicações como o Citymapper, para não perder o rumo e andar de transportes como um “local”, ou o Polarsteps para registar e partilhar o seu trajeto com os amigos e a família. Esta app, ao funcionar com o sistema GPS permite partilhar a localização mesmo quando não há ligação à Internet. Já para quem viaja com amigos e precisa de partilhar despesas, nada melhor do que o Splitwise.

     

    DURANTE A VIAGEM
    - Pedir os menus na língua local. Sempre que possível (quando a língua não é completamente impercetível), nos restaurantes o melhor é pedir os menus em língua local porque geralmente são mais baratos.

    - Ser criativo nas refeições. Em grandes cidades, como Paris ou Londres, é possível comprar as refeições nos supermercados. Os valores são substancialmente mais baratos e permitem fazer pequenos piqueniques, aproveitando melhor as cidades. Além disso, deve evitar fazer pequenas refeições nos cafés, onde a fatura pode ser muito elevada. Ter sempre barras de cereais na mala ou mesmo frutos secos é uma ótima alternativa.

    - Viajar durante a noite. Ao optar por fazer grande parte das viagens durante a noite, isso permite poupar tempo e dinheiro, que teria de ser aplicado numa estadia. Mas atenção à segurança: é preciso garantir que a bagagem está segura para não ter surpresas desagradáveis. Leve-a junto a si ou compre um cadeado que tranca a abertura da mala.

    - Pagar online sempre que possível. Sempre que houver a possibilidade de fazer os pagamentos online, é preferível usar esta opção, mesmo estando fora do país.

    - Levar algum dinheiro. Embora não seja aconselhável andar com quantias elevadas, é sempre importante ter algum dinheiro à mão para qualquer eventualidade.

    - Dar preferência ao cartão de débito vs cartão de crédito. Seja para levantar dinheiro, seja para fazer pagamentos, é preferível usar o cartão multibanco. Basta verificar se a ATM realiza operações com as marcas que constam no cartão. As marcas mais frequentes são Multibanco, Visa, Mastercard, Visa Eletron, American Express ou Maestro. Atenção que as operações com os cartões de crédito são mais caras.

    - Comparar taxas dos bancos. Antes de levantar dinheiro numa rede multibanco é importante saber qual o banco e que taxas pratica. Cada banco tem a sua rede e cobra taxas próprias. Para quem viaja de avião, uma boa estratégia é informar-se logo no aeroporto, onde geralmente estão presentes os principais bancos. A partir daí deve sempre procurar a rede do banco que cobra taxas mais baixas.

    - Ter atenção aos saldos da conta. Há geralmente um desfasamento de dois dias nas operações bancárias e é preciso ter isso em atenção quando transfere o dinheiro para a conta que vai utilizar durante a viagem. Por outro lado, os pagamentos feitos no estrangeiro podem não ser imediatamente descontados no saldo à ordem.

    - Levar vários meios de pagamento. Os azares acontecem e no caso de haver um problema com um cartão de pagamento é importante ter um recurso alternativo. O aconselhável é levar pelo menos um cartão de débito e um cartão de crédito e guardá-los em sítios diferentes. Os cartões de crédito podem revelar-se muito úteis se, por exemplo, lhe acontecer perder um voo e não tiver dinheiro na conta à ordem para pagar a viagem de regresso. Pode ainda optar por levar um cartão Pré-Pago.

     

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