Mitos sobre o cartão de crédito

A ideia por vezes associada a um cartão de crédito é de que, ao mesmo tempo que tem vantagens e benefícios, pode ser um risco e um meio de financiamento caro. Resultado: achamos que o cartão é para estar na gaveta e ser usado em casos muito específicos. Mas será mesmo assim?

O melhor é mesmo conhecer como funciona o cartão de crédito para desmistificar as ideias feitas.

    Há vários casos em que este pode ser um instrumento financeiro muito útil. Quem tem um cartão de crédito, tem a vantagem de ter um crédito sempre à mão, sem ser necessário pedir novas autorizações. Trata-se de um crédito renovável (revolving). Isto significa que à medida que os valores utilizados vão sendo pagos, o plafond fica disponível para ser utilizado novamente. Ainda que dentro dos limites mensais concedidos, representa de facto um crédito imediato e recorrente, que não exige garantias.

     

    MITO #1: é vantajoso usar cartão de crédito?
    Que peso tem, afinal, um cartão de crédito nas finanças pessoais?

    - Os cartões de crédito têm plafonds mensais que vão, por regra, desde os 500 euros a 12.500 euros, valores que variam consoante o risco de cada cliente. Sendo assim, significa que é importante garantir que os limites de crédito não excedem a capacidade financeira do seu titular, evitando criar situações de incumprimento e acumulação de dívidas. No entanto, não tem que utilizar todo o plafond. Mesmo que isso aconteça, pode sempre escolher pagar uma percentagem sobre o saldo em dívida (pode ir desde os 5%) e, desta forma, pode adequar mensalmente o que lhe der mais jeito pagar.

    - Os cartões de crédito têm também os chamados ciclos de extrato, havendo um data estabelecida para o pagamento do crédito. Cumprir estas datas significa que o titular paga os valores utilizados através do cartão sem ter encargos com juros. Este período pode ir de 20 a 50 dias, dependendo da data das compra e de fecho do extrato. Na prática, e dando como exemplo o caso da Caixa Económica Montepio Geral, há quatro datas fixas possíveis para o fecho de extrato:

        - Dia 2
        - Dia 9
        - Dia 15
        - Dia 22


    Estas são as datas de cobrança automática, mas se o cliente quiser pode pagar antes por sua própria iniciativa.

    Na data de fecho de extrato, calcula-se a percentagem do valor que se escolheu pagar. Por regra, os valores utilizados no cartão são pagos a 100%, mas pode haver alterações à percentagem a pagar até 48 horas antes do fecho do extrato. Ainda assim, há sempre um montante mínimo que o cliente tem de pagar: 15% do valor utilizado, sendo o restante pago faseadamente e com juros (ver MITO #2).

     

    Como funciona
    Sendo um crédito que está sempre à mão e que se renova à medida que os valores vão sendo repostos, o cartão de crédito é um simples e útil instrumento financeiro, que como qualquer outro, requer uma boa gestão.

    Não devemos gastar mais do que podemos pagar. Também não é aconselhável contratar vários créditos pessoais em que o somatório do encargo mensal se aproxima do montante dos rendimentos.

     

    O caso das férias e das viagens

     

    Um caso muito prático e recorrente do uso do cartão de crédito é o pagamento das despesas relacionadas com as férias e com viagens, caso do bilhete de avião ou mesmo a estadia no país de destino. E nesta situação o cartão de crédito pode ser de facto a melhor solução se conseguir conjugar da melhor forma o pagamento e a cobrança, com o subsídio de férias, por exemplo.

     

    Imaginemos que no mês de maio a sua agência de viagens lhe apresenta a oportunidade de comprar uma viagem a um destino de sonho por um preço imbatível, mas o subsídio de férias só é pago no final de julho. No imediato não necessita de utilizar o dinheiro que poupou ou de rejeitar a proposta porque as poupanças em maio não permitem aproveitar esta oportunidade.

    É aí que o cartão de crédito pode ser a solução sem representar custos adicionais se, entretanto, pagar a totalidade da viagem até à próxima data de pagamento, ou em alternativa, suportar o juro de dois meses sobre o valor em dívida no fecho de cada extrato. Com juros de cerca de 1% sobre o valor dívida, provavelmente compensará face ao desconto na viagem. É importante perceber se este encargo adicional, nesses dois meses, se coaduna com o rendimento disponível.

     

    O ideal é aproveitar o crédito gratuito. Se tem um fecho de extrato fixado no dia 9 de cada mês e a compra do bilhete de avião foi efetuada no dia 10 de junho, isso significa que a conta só será efetivamente paga a 29 de julho (50 dias depois). Isso dá-lhe margem para receber o subsídio de férias e pôr o dinheiro necessário de parte.

     

    Mesmo que a compra tivesse sido feita no próprio mês da viagem e o subsídio de férias só fosse pago no final desse mês, era possível pagar a viagem sem mais encargos. Por exemplo, se a compra fosse efetuada a 8 de julho, o fecho do extrato ocorreria no dia seguinte, mas pagaria apenas vinte dias depois do fecho.

     

    MITO #1: é vantajoso usar cartão de crédito?

     

    MITO #2: O cartão de crédito é caro?
    Que encargos tem um cartão de crédito?

    Os cartões de crédito, tal como outros serviços bancários, podem ter custos associados. Neste caso específico está em causa o eventual pagamento de comissões e de juros, mas dentro de determinadas condições. Há até condições de utilização que fazem diminuir os encargos, mas é importante perceber de facto quais são os valores em causa.

     

    Como funciona
    - Os cartões de crédito têm, normalmente, uma anuidade associada. Esta anuidade pode ir de 12,50 euros a 72 euros, dependendo do tipo de conta que está associada. Na Caixa Económica Montepio Geral, o valor também depende do facto de ser ou não associado da Associação Mutualista Montepio. Neste caso, o valor máximo de anuidade não ultrapassa os 45 euros.

     

    Há também casos em que o valor da anuidade diminui consoante o volume de compras efetuado com o cartão. Por isso, para poder reduzir os encargos com a anuidade, o melhor é analisar bem todas as condições de utilização do cartão.

     

    - Outro encargo do cartão é o pagamento de juros e de imposto de selo quando o pagamento não é feito a 100% na data de fecho do extrato. O titular tem a opção de pagar entre 15% e 100% do montante utilizado (sempre múltiplos de cinco) e essa opção pode ser alterada até 48 horas antes da data de fecho do extrato. O Banco de Portugal impõe uma TAEG máxima, que atualmente é de 16,4%. A TAEG consiste no somatório dos custos do cartão, isto é, anuidade acrescida de juros e impostos, a dividir pelo limite de crédito atribuído.

    Basicamente, o custo sobre o crédito tem por base o cálculo de 1/12 avos da taxa de juro (neste caso cerca de 1%, média dos cartões da CEMG) sobre o saldo não pago e o imposto de selo de 4% sobre o valor cobrado em juros. Ou seja, por cada 100 euros que o cliente tenha a juros (ou seja, não pagos), teria um custo de 1 euro de juros, acrescido de 0,04 euros de imposto de selo.

     

    O caso de um pequeno negócio

     

    Um pequeno negócio com necessidades imediatas de liquidez para pagar pequenos montantes é o exemplo da utilidade que pode ter um cartão de crédito, ajudando a gerir melhor a parte financeira do negócio.

     

    Ao precisar de 1.000 euros para encomendar produtos para vender, a empresa faz o pagamento com o cartão de crédito, não ficando a dever qualquer valor ao seu fornecedor. As contas serão acertadas com o Banco no fecho do extrato do cartão, altura em que já poderá ter vendido os produtos e, assim, efetuar o pagamento do cartão. Resultado: a sua conta recebeu apenas o lucro que colocou nos produtos, sem nunca ter investido o seu dinheiro.

    Se, até 48 horas antes da data limite, a empresa percebe que não quer pagar apenas metade do valor, então deverá fazer as seguintes contas para perceber quais são os seus encargos:

        - Montante utilizado: 1.000 euros

        - Taxa de juro TAN: 12%

        - Sistema de pagamento: 50%

        - Anuidade do cartão: 12,50 euros

    Neste caso, o mapa de pagamentos será o seguinte:

     

    Mês Pagamento Mensal Amortização capital Juros Imposto de Selo Capital em Dívida
    1 500,00€ 0,00€ 0,00€ 0,00€ 500,00€
    2 255,73€ 250,00€ 5,00€ 0,73€ 250,00€
    3 127,86€ 125,00€ 2,50€ 0,36€ 125,00€
    4 63,93€ 62,50€ 1,25€ 0,18€ 62,50€
    5 31,97€ 31,25€ 0,63€ 0,09€ 31,25€
    6 15,98€ 15,63€ 0,31€ 0,05€ 15,63€
    7 10,18€ 10,00€ 0,16€ 0,02€ 5,63€
    8 5,69€ 5,63€ 0,06€ 0,01€ 0,00€

     

    Se, durante este período, o cartão for usado para outras compras será considerado o mesmo esquema de pagamento, adicionando os montantes aos que já estão a pagamento. Ou então se for efetuando pagamentos pontuais, de forma gratuita e simples, os encargos também reduzirão, pois o valor em dívida também diminui.

     

    MITO #2: O cartão de crédito é caro?

     

    MITO #3 O cartão de crédito é seguro?
    O cartão de crédito tem riscos de segurança?

    O facto de efetuarmos um pagamento através do cartão de crédito, dando apenas os dados do cartão (número, data de validade e os três dígitos de segurança), cria dúvidas sobre a possibilidade de ser feita uma cópia alheia e utilização indevida dos dados. Neste caso, é importante saber como funcionam as regras de segurança para não correr riscos.

     

    Como funciona
    - Nas compras online, é certo que basta ter os dados do cartão para efetuar uma compra, mas há várias formas de segurança implícitas:

        - MBNet: neste caso não está a utilizar os dados reais do cartão, mas um cartão virtual criado apenas para aquela compra em específico ou para compras recorrentes num único comerciante.

        - 3D Secure: mesmo utilizando os dados do cartão, neste caso permite associar o cartão ao serviço 3D Secure que, na prática, não permite completar uma compra sem introduzir um código de seis dígitos que o sistema envia para o telemóvel do titular. Esta é uma segurança para o cliente e para o próprio banco.

    - Como os cartões de débito são mais utilizados em ATM, podem estar sujeitos a esquemas de skimming (esquema que permite ler os dados do cartão e copiar os dados, incluindo o código) e clonagem do cartão. Neste caso, o cartão pode ser utilizado inclusivamente noutros países. Nos cartões portugueses, isto é muito mais difícil de acontecer, uma vez que a maioria dos cartões já utiliza o chip e a clonagem acontece com a utilização da banda magnética dos cartões. Tenha atenção se ninguém o vê a colocar o PIN e, caso o seu cartão não saía da ATM, comunique de imediato ao seu banco.

    - Mesmo quando há situações de fraude, é mais fácil devolver o dinheiro no caso de um cartão de crédito do que num cartão de débito. Há maiores garantias de o titular do cartão ser indemnizado devido ao processo chamado de charge back. Este é um sistema de disputa patrocinado pela marca internacional do cartão - Visa ou Mastercard -, permitindo que o processo seja mais rápido. Neste caso, a marca internacional devolve o dinheiro ao banco e, por sua vez, ao cliente titular do cartão.

     

    O caso das compras online de tecnologia
    Pela variedade oferecida, pelas promoções e pela comodidade, as compras online estão a ganhar cada vez mais adeptos, especialmente nos equipamentos eletrónicos. Há mais escolha do que nas lojas físicas e os preços poderão ser mais convidativos, sobretudo quando falamos em valores de várias centenas de euros.

    Isso é o que poderá acontecer se encontrar uma promoção online para comprar, por exemplo, uma máquina fotográfica que já andava debaixo de olho. Nunca se sentiu confortável em colocar o seu número cartão de crédito num site, mas não quer perder a oportunidade. A solução pode passar por criar rapidamente um cartão virtual MB Net. Desta forma, não precisa de colocar o número real do seu cartão e não terá custos adicionais.

    A adesão pode ser feita facilmente numa caixa multibanco, através dos serviços de Homebanking ou mesmo na app do MB Way. Aí, pode gerar um cartão MB Net para o qual terá de definir uma password. Será também necessário estipular um montante máximo (que pode ir de 5 euros a 40 mil euros). É com este cartão que poderá, então, comprar a máquina fotográfica com toda a segurança.

     

    MITO #3 O cartão de crédito é seguro?

     

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